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Data: 20-06-2012



Texto: Aline Cunha Foto: Carlos Henrique dos Santos

Eficiência energética, uso racional da água, qualidade ambiental interna, utilização de materiais e tecnologias que causem menor impacto para a natureza. É a partir desses e de outros conceitos que o Green Building Council Brasil, organização não governamental, fomenta novos empreendimentos no País, desde a sua chegada há cinco anos, mesma época em que a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), começou a ser implementada por aqui. Em entrevista a Construção&Negócios, o gerente técnico da entidade, Marcos Casado, conta que aquilo que era uma tendência, virou realidade. A estimativa é chegar ao final deste ano com 700 empreendimentos em processo de certificação. Ele divide os méritos com o próprio setor da construção e o governo, que criou novas legislações e incentivos fiscais. E soma-se a isso, ainda, as ações voltadas à Copa do Mundo e à Olimpíada.



Construção&Negócios: Desde que o GBC chegou ao Brasil em 2007, o que mudou no setor?

Marcos Casado: Vimos que o mercado evoluiu em prol da sustentabilidade. E por que a construção civil vem se engajando tanto nesse movimento? Porque é um dos setores que mais impactam o meio ambiente. Sabe-se que é preciso dar uma resposta e mudar as características das construções. E isso começou com os empreendimentos corporativos. Há cerca de dois anos, mudamos um pouco o foco porque esse segmento, de alguma forma, já está caminhando sozinho. É difícil ter um lançamento de um prédio na cidade São Paulo que ainda não esteja incorporando conceitos sustentáveis, até porque se ficarem prontos em 4 ou 5 anos sem essa preocupação, já nascerão obsoletos. Agora, estamos buscando indústrias, centros de distribuição, shoppings, supermercados, hospitais, clínicas etc.



C&N: Quais têm sido os principais desafios para aumentar o número de certificações?

MC: O maior deles continua sendo a questão da disseminação. Hoje, muitos públicos não certificam porque desconhecem os benefícios. Além disso, os cursos de graduação - sejam das escolas de arquitetura ou de engenharia -, não capacitam profissionais para essa área. Conta-se nos dedos as universidades que conseguiram incorporar isso. O GBC Brasil atua forte na questão da educação. Temos um programa que oferece desde cursos de curta duração, de aperfeiçoamento, até os de especialização, com nível de pós-graduação, porque pegamos o profissional formado. Fechamos uma parceria com a Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), que chancela o nosso MBA em construção sustentável em todo o País. As empresas também acabam nos convidando para promover cursos específicos.



C&N: Como você avalia o Brasil em relação aos outros países em que o GBC atua?

MC: O País está muito bem no ranking mundial, ocupa o 4ª lugar em número de projetos em certificação Leed, que é a ferramenta utilizada para medir esse mercado. Disparados na frente, estão os Estados Unidos com 40.262 empreendimentos que pleiteiam ou já conquistaram o selo, porque começaram 15 anos antes de todo mundo. O GBC americano nasceu em 1993. Em seguida vem a China (869 projetos), os Emirados Árabes (767) e o Brasil (525).



C&N: Qual é a relação da entidade com o governo?

MC: O GBC Brasil nasceu fortemente apoiado pela indústria privada. Foram 31 empresas atuantes no setor da construção civil, tais como construtoras, incorporadoras, fabricantes de materiais e empresas de consultoria, que resolveram se unir para montar o conselho. Mas logo no início da operação, tivemos uma aproximação com o governo, a partir de um convite do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para trabalhar conceitos sustentáveis no Plano Diretor da Rio 2016. Também foram criadas várias legislações pontuais que de alguma forma incentivaram o setor: o plano nacional de resíduos sólidos, o plano de gestão de resíduos da construção civil, entre outros. Em setembro, pretendemos lançar, durante a feira do GBC, o programa Qualiverde, que está sendo desenvolvido pela prefeitura do Rio de Janeiro. A proposta visa incentivar a construção sustentável e seus diversos agentes por meio de redução de impostos.



C&N: O foco é o Rio de Janeiro?

MC: Tem sido federal também. Conseguimos aprovar, em janeiro de 2010, a instrução normativa 01/10, do ministério do planejamento, que obriga qualquer obra contratada pelo governo federal, a incorporação de critérios de construção sustentável. E, muitas vezes, o pessoal acaba indo para a certificação Leed, uma ferramenta simples de ser aplicada e que serve como base para promover a mudança.



C&N: O conselho também se envolveu nos preparativos da Copa do Mundo 2014?

MC: Como iniciamos o trabalho com o COB, e conseguimos a obrigatoriedade de certificar todas as obras da Olimpíada do Rio, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) achou importante que já começasse tal movimento na Copa do Mundo. O comitê organizador local recomendou que todos os estádios incorporassem esses conceitos, até porque a Federação Internacional de Futebol (FIFA) já tem um trabalho chamado Green Goal, que visa incentivar a proteção ambiental. Agora, o referencial da FIFA foi alterado e a partir da próxima copa, com exceção da que acontecerá no Brasil, todos os estádios serão obrigados a obter a certificação. Devido a esse trabalho, das 12 cidades sede, 10 estádios estão sendo certificados, porque conseguimos amarrar isso com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Solicitamos ao banco que criasse linhas de incentivo também para esses empreendimentos. São elas: ProCopa Arenas, para os estádios da copa, e o ProCopaTurismo, para hotéis sustentáveis. Hoje, quem constrói um estádio ou um hotel, incorpora esses conceitos e tem a certificação, ganha um prazo maior de pagamento e uma taxa de juros menor. Isso viabilizou a aberturado mercado a todos.



C&N: Quais estádios que serão utilizados na copa ainda não buscaram a certificação?

MC: Dois deles, o do Corinthians que ainda não foi registrado e o estádio do Internacional, onde participamos de uma reunião com o comitê organizador local. Segundo os responsáveis, irão certificá-lo. No caso do Corinthians, a própria prefeitura e o governo do estado, que estão bancando parte dessa construção, deveriam exigir do time e da construtora, que aplicassem esses critérios e que de fato o estádio fosse um modelo para a cidade. Caso não certifiquem, correm o risco de perder o benefício do BNDES. Mas em contrapartida, temos o Grêmio em Porto Alegre, e o estádio do Palmeiras, em São Paulo, que não serão usados para a copa, mas estão em processo de certificação.



C&N: A Eco 92 foi um marco na história. Você acredita que a Rio+20 seguirá o mesmo caminho?

MC: Deve marcar também, porque esperávamos muita coisa do encontro de Copenhague (15ª Conferência das Partes Sobre o Clima – COP 15), que acabou não saindo, então tudo volta para a Rio+20. Ela deve nos dar um “norte”, começar um direcionamento eficaz para esses temas porque os anos vão se passando, pouco se faz e as condições ficam piores. O Brasil tem escolhido o tema construção com um dos quatro grandes pilares no programa Carbono Zero. O assunto está em voga, assim como no mundo todo. Hoje, a Organização das Nações Unidas (ONU), através do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), tem linhas específicas só de incentivo ao setor porque sabe que ele é um dos que mais impactam o meio ambiente. Ele é responsável por 25% das emissões de CO2 do planeta, direta e indiretamente; quer dizer, causa impacto na produção dos seus materiais, na construção em si etc. E também por 30% a 50% dos recursos naturais extraídos do planeta. Sem contar ainda a questão da geração de resíduos, e o alto consumo de água durante a operação dos edifícios.



C&N: Em sua opinião, quais serão os temas debatidos nesta área na Rio+20?

MC: Acho que o foco será rever a forma de construção, buscando reduzir ao máximo a necessidade de recursos naturais, incentivando a questão do reuso de materiais e de edificações, uma cultura que ainda não existe no Brasil. Para que demolir um edifício e construí-lo de novo? Por que não usar parte daquelas instalações já construídas? É o que se faz na Europa. Além disso, outro ponto é a utilização de materiais regionais com dois objetivos: a partir do momento que você limita a compra desses materiais em grandes distâncias, você promove o desenvolvimento das microregiões. Outro objetivo é reduzir o transporte de materiais. O pessoal da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vem desenhando um programa, já como uma proposta para a Rio+20, com várias ações de como o setor pode atuar para diminuir o impacto que causa à natureza.



C&N: Infelizmente a palavra “sustentável” ficou banalizada e há quem a utilize para se promover de alguma forma. Isso prejudica o trabalho do conselho?

MC: Tem um pessoal pegando carona na história. Sabemos também que há pessoas, dentro desses 500 empreendimentos em processo de certificação, que estão fazendo isso simplesmente por questões de marketing, pois não têm o coração verde. Mas não tem problema nenhum, que ele continue fazendo, quem sabe um dia fará por conceito. Por isso que a certificação acaba sendo uma ferramenta legal, porque vai de fato medir o desempenho das edificações para comprovar se ela é sustentável ou se não passa de uma maquiagem verde, o chamado Greenwashing.







"Construção&Negócios" - Edição 40 Junho/Julho - 2012




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