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Relatório da Vigilância contradiz vereadores e denuncia precariedade na Santa Casa


Data: 29-04-2013

Pio Redondo




“Tudo limpo, com desfibriladores em todos os andares. A gente entendeu, pelo que os pacientes internados nos falaram, que eles estão sendo bem atendidos”, declarou nesta quarta-feira (24) o presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Campo Grande, Paulo Siufi (PMDB) após visitar a Santa Casa.”

A depender daquilo que consta em uma grande auditoria feita pela Vigilância Sanitária na Santa Casa de Campo Grande, realizada na semana de 1º de agosto de 2012, e que fez uma espécie de pente fino nas irregularidades que agravam problemas de infecção hospitalar no principal hospital do MS, deve ter ocorrido um ‘milagre’ durante a inspeção da Comissão.

Ou então, a direção da Santa Casa conseguiu, no tempo recorde de seis meses, consertar aquilo que vem se acumulando por anos e anos, e que atende pelo nome de “descaso”.

O relatório é subdividido em categorias relativas aos níveis de gravidade do problema encontrado. As irregularidades de Nível III são assim descritos no relatório: “Afeta em grau crítico o risco. Determina exposição a risco que se não cumprido ou cumprido inadequadamente, influi em grau crítico na qualidade e segurança dos processos de trabalho, e dos serviços e produtos oferecidos”.

O tempo fixado para a correção desses problemas era curto, de um a 15 dias. Mas em uma busca pelo longo texto da auditoria, o Nível III aparece 121 vezes. São relatos detalhados como os desses poucos exemplos, transcritos na íntegra. Sem contar os de Nível I e II, também irregulares:

“Não realizam controle de qualidade dos alimentos prontos. Não são realizadas análises microbiológicas de acordo com a freqüência adequada e descrita em POP. (Nível III)”

“Não dispõe de filtro de água na UAN. Utilizam a água do bebedouro que não possui filtro. Não realiza análise para controle da qualidade da água utilizada. (Nível III)”

“Sala do Estoque de Material de Limpeza com formação de mofo nas paredes, desorganizado, com materiais em desuso, sem espelho nas tomadas e com caixas no chão não permitindo uma limpeza adequada do local. (Nível II)”

“Não realizam controle de qualidade dos alimentos prontos. Não são realizadas análises microbiológicas de acordo com a freqüência adequada e descrita em POP. (Nível III)”

“Não realizam desinfecção dos utensílios utilizados pelos pacientes. (Nível III)”

“Saída do ar condicionado e entrada do exaustor com acúmulo excessivo de sujidades, principalmente dentro da sala de manipulação. (Nível III)”

“Não realiza controle microbiológico das fórmulas prontas para consumo. (Nível III)”

“Presença de mosquinhas em vários ambientes do setor de nutrição enteral.”

“Obs.: A mosca encontrada é popularmente conhecida como mosca-de-banheiro ou moscas dos filtros e, como suas larvas alimentam-se principalmente de acúmulos de bactérias, é um indício da deficiência na higienização dos ambientes, principalmente dos ralos. (Nível III)”

“Funcionária que realiza a desinfecção de mamadeiras desconhece os procedimentos de diluição e preparação do hipoclorito de sódio e a concentração utilizada. (Nível III)”

“Produtos alimentícios com prazo de validade expirado. (Nível III)”

“Consideramos que houve uma melhora dos processos de trabalho e do fluxo de atendimento no pronto socorro, no entanto o setor apresenta sua estrutura física comprometida, necessitando de reparos emergenciais de teto e forro, considerando ainda a necessidade de priorização dos reparos nos vazamentos, nas infiltrações e nas áreas com mofo os quais aumentam o risco de infecção hospitalar”.

O texto integral da inspeção está anexado em arquivo, ao fim da matéria.

Pronto Socorro

As condições gerais de um pronto-socorro que realiza cerca de 4.000 atendimentos/adulto por mês, com uma média de 150 por dia, e mais de 70 por dia na pediatria (2.000 mensais) são as mais sensíveis da Santa Casa.

Ao analisar as condições da Emergência dos atendimentos particulares, o Prontomed, o relatório dá uma ideia do que ocorre com os pacientes todos, inclusive os do SUS.

Nota-se que o procedimento conhecido como “Ambu”, a ventilação mecânica, manual, ainda era frequente. O atendimento de adultos e crianças é feito na mesma área crítica, como aponta o relatório:

“Na SALA DE ATENDIMENTO A EMERGÊNCIAS, havia pacientes internados, em ventilação mecânica, aguardando vaga no CTI: Nível III

“Quando chega um paciente em estado de emergência é atendido junto com os outros internados, inclusive pacientes pediátricos, pois não dispõe de uma sala exclusiva para pediatria”;

“Espaço físico insuficiente; presença de materiais/mobiliário com processo de ferrugem”;

“Apenas uma pia, onde é realizada a higienização das mãos e lavagem de materiais”;

“Almotolias sem proteção de tampa”;

“Lâmpadas sem proteção contra queda”.

Quanto ao PS do SUS, o relatório aponta as mesmas dificuldades, ressaltando a existência de goteiras na entrada da Emergência, medicamentos abertos, pacientes não identificados com soluções aplicadas nas veias e medicamentos psicotrópicos em local aberto.

No PS pediátrico, mesmo constatando melhoras, o relatório fala da necessidade de “reparos emergenciais de teto e forro, considerando ainda a necessidade de priorização dos reparos nos vazamentos, nas infiltrações e nas áreas com mofo os quais aumentam o risco de infecção hospitalar”.

No Centro Cirúrgico do hospital, o mais sensível às infecções hospitalares que vitimam pacientes, levando os mais combalidos à morte, o relatório chegou a apontar a presença de “medicamentos endovenosos abertos tipo multidose sem identificação adequada”, e soluções anticépticas voláteis sem tampa.

Centro Obstétrico e Sala de Parto

Nesse ponto, o relatório afirma que os partos são assistidos por acompanhantes, mas não há biombos na sala, pequena. Portanto, as parturientes não têm privacidade. O relatório afirma que “a ala possui ainda uma sala de pré-parto, com 4 leitos e um banheiro, que não atende a área física mínima para tal atividade. Possui duas salas de parto normal, as quais se encontram em más condições de uso. O centro obstétrico não atende as recomendações da Resolução RDC nº 36, de 3 dejunho de 2008.”

Na Sala de pré-parto a precariedade local não tem limites.

Na data da vistoria, o vaso sanitário do banheiro da sala de pré-parto não possuía uma simples tampa. O relatório afirma que “a sala de pré-parto não possui as dimensões mínimas para 04 leitos, possui rachadura e infiltração no teto, que segundo informações, quando ocorre lavagem de ambiente do andar de cima, há vazamento de água no pré-parto (Nível III)”. E há a rachaduras dentro das salas de parto (Nível III).

Solução em dois anos

A reportagem localizou um dos especialistas que participaram da inspeção, que prefere não ter o nome revelado. Segundo ele, muitas medidas foram tomadas depois da atuação da Vigilância Sanitária pela junta Interventora da Santa Casa. Mas o especialista crê que a situação só vai melhorar com boa gestão, investimentos e formação profissional, para que os agentes tenham mais ciência sobre as formas de proliferação da infecção hospitalar e possam evitar contágios.


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