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Cientista analisa qualidade do ar de metrô


Data: 18-06-2013



Getty Images
Estudo mostra que ar do metrô de Nova York tem qualidade semelhante ao de pontos da cidade

Cada amostra de ar coletada continha um bilhão de bactérias, algo equiparável ao encontrado no ar exterior


The New York Times | 15/06/2013 08:01:19




Norman R. Pace, microbiologista da Universidade de Colorado em Boulder, foi um dos primeiros pesquisadores a utilizar o DNA para estudar micróbios. Ele pesquisou os extremófilos (organismos que vivem em ambientes extremos) das fontes termais do Parque Nacional de Yellowstone e chegou a mergulhar com o submersível Alvin para examinar a vida microbiana das fontes hidrotermais. Como qualquer microbiologista que já viu muita coisa, ele cumprimenta os visitantes com um "toca aqui".

Pace também pesquisou um ambiente exótico que é muito mais familiar para os nova-iorquinos: o metrô da cidade. Mas qual era seu objetivo? Descobrir exatamente como é o ar que se respira lá baixo – e se as criaturas invisíveis seriam motivo de preocupação. Além disso, seu estudo fornece uma "base prévia", ou seja, uma noção de quais são as condições normais do ar nessas áreas – o que é extremamente útil no caso de um ataque bioterrorista, das inundações recentes ou de qualquer outra catástrofe.

Leia também: Poluição do ar em SP seria 30% maior se metrô não existisse, diz estudo

Em cada uma de sete estações pesquisadas – Times Square, Grand Central (com as linhas 4, 5, 6 e 7), Union Square, Chambers Street, Bowling Green e a estação abandonada da IRT na prefeitura – a equipe de Pace coletou dois metros cúbicos de ar, o equivalente ao que uma pessoa respira todos os dias.

Como referência, a equipe também coletou o ar da superfície na Union Square e dentro do mezanino da Grand Central. As descobertas foram publicadas na revista "Applied and Environmental Microbiology".

Cada amostra continha um bilhão de bactérias e, surpreendentemente, costumava refletir a qualidade do ar exterior, conforme descobriram Pace e os colegas. Contudo, a equipe destacou uma diferença fundamental no subterrâneo: "O volume de fungos é um pouco mais alto. Porém, há muita madeira podre por lá, de forma que isso não chega a surpreender."

A equipe não identificou qualquer patógeno humano e apenas cinco por cento das espécies microbianas (que representam um quinto das identificáveis) eram provavelmente originadas na pele humana – em calcanhares, cabeças e antebraços, principalmente.

"Todas as vezes que você desce, a pressão do ar dentro de seus sapatos aumenta", afirmou Pace. "Você pisa e libera um pouco de ar quente, que por sua vez carrega a microbiologia do pé." Essa "nuvem convectiva" é irradiada pelos corpos dos cerca de 1,6 bilhão de passageiros que utilizam o sistema de metrô todos os anos. Bactérias associadas à pele humana foram encontradas até mesmo na estação abandonada, no centro da cidade.

O veredito: o ar lá de baixo não é causa para preocupação e, do ponto de vista da microbiologia, o ar úmido de lá de baixo não é diferente de qualquer local cheio de gente.

"Não identificamos nada estranho e certamente nada ameaçador", afirmou Pace. "Pelo menos, nada mais ameaçador que a pessoa ao seu lado na plataforma do trem."


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