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A LEGIONELLA-Doença do Legionário


Data: 28-05-2014



Pessoa fotografada: Eng. Miguel Caetano


Um bom dia começa com uma boa noite. Estou sempre a surpreender-me. Logo pela manhã comprei o jornal diário – como quase sempre acontece – pelo interesse despertado, li com atenção um artigo sobre a “Legionela “.
Como já se aperceberam, o tema de hoje visa abordar um determinado tipo de doença, mas, longe de mim, a ideia de pretender abordar temas relacionados com as doenças dos pacientes porque não tenho formação médica nem competência para tal.
Na verdade, os meus 25 anos de intensa atividade dedicada à gestão da área de Instalações e Equipamentos do Hospital Distrital de Chaves, proporcionaram-me inúmeras experiências, e também responsabilidades, entre as quais a necessidade de controlar o desenvolvimento da legionella.
É pois a Legionella/doença do legionário, o tema central deste artigo que levo ao conhecimentos dos leitores de “ A Voz de Chaves”.
Desde 1976 que a Legionella, uma bactéria ambiental presente nas águas doces e ainda nos circuitos de distribuição de água fria e quente, é sobejamente conhecida e temida. Foi nesse ano que um grupo de ex-legionários, dias antes reunidos num hotel de Filadélfia, foi afetado por uma misteriosa e grave pneumonia ( que atingiu 180 congressistas dos quais faleceram 29),pneumonia que se veio a descobrir ter origem nas torres de refrigeração dos sistemas de ar condicionado, contaminadas pela bactéria a que se deu então o nome da Legionella . O ar do sistema de climatização do hotel, propagando-se através das condutas de ventilação, contaminou as pessoas ali presentes quando as mesmas inalavam as partículas suspensas contendo a bactéria. O hospital Distrital de Chaves possui três torres de arrefecimento, equipamento indispensável nos circuitos de ar condicionado.
Dadas as minhas responsabilidades de então, por dever de ofício, tive necessidade de estudar o tema e assim poder controlar o eventual desenvolvimento desta batéria, muitas vezes mortífera como aconteceu em Julho de 2001 na cidade espanhola de Múrcia, pelas suas proporções e virulência, traduzidos em 800 casos de pneumonia de entre os quais 4 vítimas mortais.
Neste contexto, é então oportuno esclarecer algumas dúvidas, que justamente muitos dos leitores já devem ter interiorizado. Eis os esclarecimentos possíveis.
1. Circunstâncias da sua perigosidade para as pessoas
O fator maior é aquele que propicia a concentração de valores elevados da bactéria na água ou em meios húmidos.
Os fatores mais propícios à sua reprodução são:
· Águas em circuitos fechados (paradas ou em recirculação), não sujeitas ao processo de desinfeção;
· Temperatura das águas compreendidas entre os 22 e 40º graus centígrados. Entre os 60 e 70º C a bactéria fica inofensiva.
· Incrustações calcárias nas tubulações.
2. Fontes de infeção mais comuns
·Torres de refrigeração e condensadores dos sistemas de ar condicionado total;
·Humidificadores do meio ambiente utilizando água;
·Redes e reservatórios de água quente sanitária, muito especialmente a nível das cabeças dos chuveiros, quando durante muito tempo fora de uso;
Estes casos são mais frequentes nos meses de Outono e Verão.
Os aparelhos de ar condicionado do tipo ar/ar ou as unidades individuais do tipo split, não representam grande perigosidade.
3. Sintomas mais comuns desta doença
·Os sintomas mais comuns são a febre alta, para cima do 40º C, diarreia, dores de cabeça e musculares, e arrepios;
4. Sistemas de transmissão às pessoas
·O contágio acontece quase sempre por via respiratória. A bactéria não se transmite entre as pessoas.
5. Grupos com maior probabilidade de contrair a doença
·A maior suscetibilidade de contrair esta doença tem muito a ver com as pessoas mais idosas e com algum tipo de enfermidade debilitante, tais como: diabetes, bronquite crónica, cancro e em situação de tratamento com corticoides.
6. Medidas preventivas a tomar
·Especial atenção deve recair sobre as torres de refrigeração, as quais devem incorporar um sistema de doseamento automático de cloro, e execução de análises regulares para controlo microbiológico da água em recirculação;
·Nos locais com instalações de água quente sanitária, (hospitais entre outras) onde a temperatura de distribuição varia entre os 44 e 52º C, as tubulações devem ser permanentemente desinfetadas com cloro (dióxido de clorina a 1,5ppm). Este procedimento deve ser complementado com um choque térmico de três vezes por ano por forma a que temperatura da água suba até aos 70/80º C. Os serviços, para este procedimento, são previamente informados.
·Os cilindros elétricos (termoacumuladores de água) devem ser regulados para que a água atinja a temperatura próxima dos 60ºC, recomendando-se a sua ligação à rede elétrica permanentemente.

Nota: “Na ausência do domicílio por períodos superiores a 10 dias com o aparelho desligado ou sem utilização de água da rede pública, deixar correr a água nas torneiras durante 2 minutos e em cada posição e por esta ordem: primeiro água quente, logo depois água fria, fechar as torneiras e passados 15 minutos já se pode utilizar “( fonte: Autoridade Sanitária de Múrcia ).
·Os depósitos de água potável devem ser limpos anualmente por pessoal certificado para o efeito.
Para terminar direi, para este assunto e outros que tenham muito a ver com questões de saúde pública, é importante estarmos todos bem informados.


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Os conteúdos das matérias não refletem necessariamente a opinião do Qualindoor.




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