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CNPq discute a formação de engenheiros no Brasil


Data: 07-07-2011

Para ampliar o debate acerca das necessidades brasileiras de formação e qualificação de profissionais nas áreas das Engenharias, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) promoveu a palestra Contexto e Dimensionamento da Formação de Pessoal Técnico-Científico e de Engenheiros.

A abertura foi realizada pelo diretor de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais do CNPq, Guilherme Sales Soares de Azevedo Melo, que destacou a relevância do tema. Esse assunto é muito importante, pois o país precisa de engenheiros. Temos que motivá-los a permanecer nas Engenharias, afirmou.

Formação de engenheiros

Paulo Meyer Nascimento, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), traçou um panorama sobre o cenário atual e projetado da formação, ingressos e egressos, dos cursos de engenharia, bem como da demanda por parte do setor produtivo.

O Brasil forma proporcionalmente menos engenheiros que outros países, mas isso não quer dizer que esse número não seja suficiente, afirmou ele.

As vagas para as Engenharias dentro das instituições de ensino estão crescendo proporcionalmente mais que as outras áreas.

Apesar da maior demanda pelas Universidades públicas, as matrículas no setor privado são as que mais crescem.

Quanto à qualidade, constatou-se que, dentre as instituições com conceito 4 ou 5 no Enade, 85,3% eram universidades públicas, em 2005, número que caiu para 73,7%, em 2008. Podemos inferir que a formação das Engenharias é qualitativamente melhor no ensino público do que no privado, pontuou.

Escassez de engenheiros

O forte crescimento econômico do Brasil poderá ampliar a demanda por engenheiros, o que poderá ocasionar cinco tipos de escassez:

a quantitativa refere-se a uma oferta de engenheiros menor que a demanda;
a qualitativa, que consiste na formação inadequada para as funções demandadas;
de áreas específicas como, por exemplo, a engenharia naval;
regional, ocasionada pelo aumento da industrialização em novas regiões;
de experiência, que poderá ocorrer pela falta de profissionais com experiência nas áreas desejadas.

Para Nascimento, existem ajustes em curto e longo prazo que poderão remediar o problema. Para efeitos imediatos podemos aumentar os salários, o que irá atrair os profissionais que estão em outras áreas, reter profissionais em vias de se aposentar e flexibilizar vistos de trabalho para estrangeiros, ressaltou.

Segundo o pesquisador, para efeitos futuros é necessário ampliar a oferta de vagas via sistema educacional, atraindo e retendo talentos, garantir a qualidade da formação e promover uma formação básica de qualidade que permita que os jovens cheguem aptos a cursar a graduação.

Quem virá primeiro?

Nascimento destacou ainda que parte do problema da falta de engenheiros pode ser atribuída a uma percepção do setor produtivo de que está faltando mão-de-obra com experiência.

A maior quantidade de engenheiros está concentrada no início ou final da carreira. O mercado quer um profissional com experiência, caso contrário terá que investir em formação, mas que ainda não atingiu o topo da carreira, quando recebe um salário elevado, destacou.

Nascimento lembrou ainda que as décadas de 1980 e 1990 foram difíceis para a Engenharia e que parte desse crescimento é na verdade uma recuperação. Nesse sentido, é preciso ter cautela, precisamos pensar se primeiro formamos engenheiros para transformar a estrutura produtiva, ou se esperamos essa transformação para formar mais engenheiros, concluiu.



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