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Doenças de concreto e vidro


Data: 23-06-2016





Edifícios modernos com janelas fechadas e ventilação artificial podem ser lugares perigosos para as pessoas. Ar de má qualidade e substâncias tóxicas dentro dos escritórios provocam alergias e infecções respiratórias.







Por Redação Super




Fátima Cardoso

Existem pessoas que têm alergia ao trabalho. Volta e meia sentem dores de cabeça, de garganta, ficam resfriadas, faltam ao emprego. Aversão a serviço? Não, ao prédio. Desde 1983, quando a Organização Mundial da Saúde cunhou o termo Síndrome do Edifício Doente, esses sintomas mais parecidos com uma alergia a escritório passaram a ser considerados como doenças ocupacionais. Só que os doentes não são as pessoas, mas os prédios: os males da síndrome surgem graças ao contaminado meio ambiente em seu interior. Edifícios podem ser lugares insalubres — e os mais chiques e moderninhos tendem a ser os mais perigosos. A OMS calcula que um terço dos novos e remodelados edifícios comerciais estejam doentes. Lá dentro, invisíveis, podem conviver ar de má qualidade com ventilação inadequada, produtos tóxicos liberados de carpetes e madeiras compensadas, fumaça de cigarros, temperatura ora fria, ora quente demais.



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Esse cenário tenebroso para narizes e pulmões sensíveis começou a ser desenhado há cerca de trinta anos, quando a paisagem urbana foi tomada, principalmente nos países desenvolvidos, pelos chamados edifícios fechados. Sem janelas que se abram para o mundo externo, nos dias de calor, nem aquecimento a vapor, nos dias de frio, lá se respira ar condicionado climatizado que sai de autos distribuídos capilarmente por todas as dependências. "Edifícios fechados são ambientes potencialmente insalubres para trabalhadores do setor terciário”, constata o médico do trabalho Davi Rumel, professor do Departamento de Epidemiologia na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Rumel passou os últimos dois anos no Canadá, trabalhando numa equipe de estudos sobre poluição interna.

O grupo de Rumel era chefiado pelo canadense Theodor D. Sterling, um dos primeiros pesquisadores a se ocupar de edifícios fechados, ainda na década de 50. A lista das enfermidades em edifícios desse tipo é de deixar os cabelos em pé: dor de cabeça; irritação, secura, dor nos olhos e lacrimejamento; constipação e irritação nasal; dor e irritação na garganta; dificuldade respiratório e sensação de opressão; fadiga; letargia; secura, coceira e irritação na pele; dificuldade de concentração.

A síndrome não escolhe latitude ou longitude; ataca edifícios fechados, grandes ou pequenos, em qualquer país do mundo. Embora se alegasse que o controle do ar tornaria o ambiente interno livre de poluição e sujeira, funcionou tudo ao contrário. A Agência de Proteção Ambiental nos Estados Unidos detectou que o nível de poluição dentro de alguns edifícios chega a ser 100 vezes maior do que na rua. Trazer o ar para dentro do prédio exige um equipamento para aspirá-lo, do qual faz parte uma série de filtros que retém a sujeira. Só que tais filtros não são trocados com a freqüência ideal, e de tão sujos que ficam tornam-se um prato cheio para a proliferação de fungos e bactérias. É nada mais que a confirmação de uma lei da ecologia: em qualquer novo ambiente com substrato orgânico propício à aparição de vida, a vida será criada.

Os próprios autos de distribuição raramente são limpos, formando-se em seu interior poças de água provocadas pelas diferenças de temperatura — mais um moIho no caldo de microorganismos. A situação piora pelo fato de o ar raramente ser renovado totalmente, pois isso significa mais gasto de energia, seja no resfriamento ou aquecimento, nas lufadas de ar fresco para que a temperatura seja constante do lado de dentro. Dessa forma, a fumaça de um cigarro fumado no primeiro andar passeia dias por dentro dos tubos, podendo ir deixar os resíduos tóxicos dez andares acima. Grave o caso se torna quando a entrada de ar fica em lugares absolutamente impróprios, como ao nível de ruas movimentadas ou perto de chaminés.

Histórias assim podem ter final trágico, como aconteceu num hotel da Filadélfia, nos Estados Unidos, em 1976. Um grupo de legionários que participava de uma convenção da Legião Americana foi vitima de um surto de pneumonia, provocada por uma estranha bactéria. Nativa da terra, a bactéria encontrou ambiente propício para sobreviver na torre de resfriamento do sistema de ventilação, onde haviam proliferado certas algas. Pois a entrada de ar localizava-se justamente ao lado da torre, condição em que as bactérias foram aspiradas pelos autos e se espalharam pelo hotel causando várias mortes. Materiais de construção e mobilia metidos em novas tecnologias são outro problema. Em lugar da velha e conhecida madeira maciça, apareceu a madeira compensada como matéria-prima de mesas, divisórias e até portas. As placas dessas madeiras são grudadas com cola à base de resina de formaldeído, uma substância altamente tóxica. É fácil perceber a presença dessa cola quando os móveis têm o intenso e penetrante "cheiro de novo".

A mesma cola é empregada na instalação de carpete, o que provocou nos Estados Unidos um episódio insólito. Nos escritórios da Agência de Proteção Ambiental, em Washington, as semanas seguintes à instalação de um novo carpete foram um suplício para os funcionários, que sofreram dias de tontura e queimação nos pulmões provocadas pelo formaldeído da cola. Eles reclamaram até convencer seus chefes protetores ambientais a protegê-los daquele castigo — e então festejou-se um acordo para remover o novo carpete.

Outro material que andou muito em moda, e acabou se revelando um belo estorvo, foi o amianto. Durante vários anos, foi empregado nos edifícios como isolante, até a descoberta de que o pó de amianto era cancerígeno. Além de proibido em novas construções, o amianto foi arrancado dos prédios em obras extensas e dispendiosas. Em alguns lugares, nem reformas adiantaram. No edifícios sede da Comunidade Européia, em Bruxelas, ainda existe um nível de 0,8 fibras de amianto por centímetro cúbico de ar a ameaçar a saúde dos Burocratas, quando as normas da própria comunidade estabelecem um limite de 0,0001 de fibras por centímetro cúbico. Sem outro remédio à vista, o destino do prédio doente será a demolição.Além de amianto e formaldeído, substâncias químicas dentro do próprio prédio desencadeiam reações. Substâncias desprendidas de produtos de limpeza e desinfetantes podem provocar alergia nas pessoas mais sensíveis.

O ozônio emitido pelas máquinas fotocopiadoras pode causar dores de cabeça, tontura e fadiga. Lâmpadas fluorescentes — usadas em dez entre dez escritórios — emitem raios ultravioleta, que ao reagirem quimicamente com o pó em suspensão dão origem ao smog fotoquímico, uma nuvem de fumaça poluidora. Como se não bastasse o rosário de contaminações a que edifícios fechados estão sujeitos, a distribuição de espaço é outra fonte potencial de suplícios. Muitos prédios fechados são construções enormes, onde por razões econômicas todo e qualquer centímetro quadrado é aproveitado. Aglomeram-se, portanto, os trabalhadores, por vezes instalados em andares imensos, retalhados por divisórias separando as pessoas. Os mais desafortunados, que foram colocados lá no meio, cercados por biombos, ficam tão longe das janelas que não sabem se chove ou faz sol. A sensação de claustrofobia e isolamento é inevitável. “Conheço gente que deixa o escritório para ir ‘tomar um ar’ na rua”, conta o médico Davi Rumel, com uma ponta de ironia.

Há quem tente se salvar do sufoco tomando um arzinho lá fora, mas boa parte das pessoas sensíveis a essa clausura acabam mudando de emprego ou somatizando — é quando surgem as irritações e doenças nos olhos e nas vias respiratórias. Mesmo quem trabalha próximo a janelas que não se abrem não tem, assim como os outros, o menor controle sobre a temperatura, a ventilação ou a iluminação de seu local de trabalho. "É uma camisa-de-força ambientar", compara Rumel. O sistema de ar-condicionado central, quando distribui o ar à mesma temperatura para todos os ambientes, ignora se de um lado do prédio bate sol o dia inteiro, aquecendo aquele lado, enquanto o outro fica mais frio. Se houvesse descentralização, o pessoal do lado quente simplesmente abriria as janelas, enquanto o pessoal do lado gelado as manteria fechadas. O drama do edifício fechado, para Rumel, é que ninguém consegue adequar o ambiente às necessidades pessoais. Ele próprio, instalado em sua pequena e abarrotada sala no velho prédio da Saúde Pública, é um exemplo de como se pode conseguir esse equilíbrio. De sua janela, no primeiro andar, vêem-se as árvores do imenso jardim.

Embora a tarde de verão paulistano seja quentíssima, a janela permanece fechada, por causa do barulho vindo das obras do metrô na avenida em frente. Nesse caso, basta ligar o ventilador encostado num canto para suportar melhor o calor. "No Alasca até se justifica a construção de um prédio fechado", divaga Rumel. "Mas sou contra a importação disso para o Brasil um país de clima ameno."Ainda que virtualmente todos os edifícios tenham cura, uma vez que se diagnostique a doença, é mais produtivo prevenir do que aplicar depois os remédios. Até lá, boa parte dos funcionários já terá sofrido na pele os sintomas e, pior, terão faltado muito mais ao trabalho do que se vivessem em ambiente saudável. Especialistas da empresa norte-americana Healthy Buildings International, precursora no diagnóstico e tratamento de edifícios enfermos, buscam o foco das doenças sobretudo na manutenção inadequada das instalações. Para que seja possível viver bem num escritório, aconselha-se um mínimo de 34 metros cúbicos de ar por hora por pessoa. Em uma hora, o sistema de climatização deve realizar de quatro a seis renovações totais de ar. A iluminação deve equivaler a uma lâmpada de 60 watts situada a uns 35 centímetros de altura, enquanto a temperatura interior deve oscilar entre 20 e 24 graus no inverno, e entre 23 e 26 graus no verão. Melhor que isso, só mesmo um edifício aberto.

Fonte: Super Interessante

A origem dos males

68% Ventilação indequada (pouca circulação de ar, suprimento de ar fresco inadequado, controle precário de umidade e temperatura

10% Contaminação externa (gás de escapamentos de veículos

5% Contaminação de embiente interno (fumaça de cigarros, fotocopiadores

2% Materiais de construção (formaldeído de colas)

15% Causa desconhecidas



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